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URUGUAI, TERRA DO TANNAT

27 jun 2016, Posted by degustadoresfronte in Notícias e Artigos

Até pouco tempo atrás, o único fato notável referente ao vinho no Uruguai era seu formidável consumo per capita. Os uruguaios até hoje são grandes bebedores de vinho, consumindo anualmente cerca de 33 litros de vinho por habitante, colocando-se à frente de argentinos e espanhóis, segundo a última pesquisa do The Wine Institute (dados de 2011)). Devemos notar também que, apesar de ser um país de pequenas dimensões territoriais, tem uma produção nada desprezível.

Entretanto, só podemos falar em vinho de qualidade nesse pequeno país a partir de meados dos anos 1990, pois o que se fazia até então se limitava, principalmente, vinhos rosés escuros, ásperos e adocicados, lembrando alguns claretes espanhóis de baixa qualidade, em cuja composição entravam as uvas Muscat de Hamburgo, Tannat e, até mesmo, nossa velha conhecida uva híbrida Isabel.

A evolução do país rumo à produção de vinhos finos de qualidade continuou avançando, tendo havido um desenvolvimento impressionante nos últimos dez anos. Tal fato explica o aumento da exportação dos vinhos do país para o mercado internacional, embora a maior parte da produção seja ainda dirigida ao consumo interno. Pudemos conferir  isso na recente mostra de vinhos  Tannat Tasting Tour Brasil 2014, promovida pela Wines of Uruguay. Na ocasião, recebemos de seu presidente, sr. Gustavo Magariños,   um convite para visitarmos o país e suas principais bodegas, convite que aceitamos com prazer.

 

UM POUCO SOBRE O PAÍS

Quem chegar a Montevidéu esperando encontrar lojas de grifes internacionais, redes de cafés e fast food e outras coisas do mundo globalizado, certamente foi para o lugar errado. As marcas do país são a tranquilidade, o bom trânsito pelas ruas e a boa educação das pessoas. Em certos momentos, caminhando pelas ruas do bairro classe média de Pocitos, próximo à rambla do Rio da Prata, tive a sensação de ter voltado ao meu tempo de juventude no bairro de Vila Mariana, em São Paulo.

Foi boa essa sensação de nostalgia, poder passear calmamente num lugar em que ninguém tem pressa e sentir a vida fluir devagar. Depois de um dia pleno de visitas a bodegas e degustações, caminhar pelo calçadão “à beira mar” (na verdade à beira do rio, mas ele é tão grande que se assemelha ao oceano que vai encontrar poucos quilômetros adiante).

A modernidade, os condomínios luxuosos à beira mar e a sofisticação dos bares e restaurantes de luxo eu só iria encontrar quilômetros a leste, na cosmopolita Punta del Este, balneário que faz a festa dos endinheirados turistas argentinos e brasileiros. No geral, o Uruguai agrada muito pela qualidade de vida que oferece a seus habitantes e pelo baixo nível de desigualdade social.

 

O VINHO URUGUAIO

O plantio da videira se espalha por várias partes do país, mas se concentra principalmente na costa sul, região de clima marítimo, nos departamentos de Canelones, San José, Florida e Montevidéu, capital do país. Mais de 70% da produção nacional vem dessa região próxima à capital do país, Montevidéu, onde nos hospedamos. Focamos nossas visitas às bodegas dessa importante zona devido a sua importância e proximidade de onde ficamos.

As regiões de Colonia e Carmelo, a sudoeste, no estuário do rio da Prata, defronte à capital argentina, Buenos Aires, têm tido um bom desenvolvimento, apesar de seu solo de aluvião excessivamente fértil.

As muito promissoras regiões de Maldonado, La Valleja e Durazno, ficam no centro-sul. No norte, encontramos as já consolidadas regiões de Artigas e Rivera (onde se localiza ao Cerro do Chapéu), no Pampa Uruguaio fazendo fronteira com o Rio Grande do Sul. Salto e Payssandu estão no Noroeste do país.

 

A TANNAT, UVA SÍMBOLO DO PAÍS

A Tannat, variedade com a qual se elaboram os vinhos do Madiran, no sudoeste francês, em pouco tempo ganhou tal proporção no país que suplantou, em número de hectares, a superfície plantada em sua terra de origem, embora boa parte do vinhedo tenha sido replantada, poucos anos mais tarde, devido ao ataque de um vírus infeccioso. Hoje os vinhedos de Tannat respondem pela terça parte de toda a área plantada do país.

Podemos afirmar que o vinho Tannat tem o mesmo grau de importância para o Uruguai que o vinho Malbec tem para a Argentina. Em ambos os casos, eles têm um peso maior em seus novos hábitats sul-americanos do que em suas terras francesas de origem. A uva Tannat se adaptou perfeitamente ao solo e ao clima uruguaio, e desde 1870 os vinhos com ela elaborados se tornaram o ponto alto da vitivinicultura do país.

Este vinho, um tanto rústico mas intenso e potente, com grande concentração de cor e de taninos, quando bem vinificado pode ser bastante interessante. A moderna indústria do vinho uruguaio percebeu a importância do Tannat como típico do país e tem feito dele uma bandeira para conquistar novos mercados no exterior.

Outras uvas se deram bem nessas terras. Os destaques são a Cabernet Sauvignon, a Merlot e a Cabernet Franc (esta com vinhos surpreendentes); no time das brancas, merecem ser citadas a Sauvignon Blanc e a Albariño (mesma Alvarinho portuguesa) que inicia uma carreira muito promissora.

 

O SOLO E O CLIMA

O Uruguai tem uma situação geográfica bastante adequada ao plantio da videira. Localizado ao sul do Brasil, tem suas regiões produtoras situadas entre os paralelos 30° e 35° de latitude sul, portanto muito bem encaixadas na zona nobre de plantio.

O relevo de todo o país é predominantemente baixo, com uma altitude média de 200 m acima do nível do mar. As elevações maiores são de 300 m a 500 m. A topografia do terreno das regiões produtoras é levemente ondulada e o solo, do tipo argiloso. O regime de chuvas é equilibrado e atinge, em média, 1.000 mm/ano, não sendo necessária a utilização da irrigação artificial.

O clima é tipicamente temperado, com influência atlântica, parecido com o de Bordeaux, apenas um pouco mais quente. A insolação é boa, semelhante à encontrada na Argentina e no Chile, sendo notada a influência refrescante das correntes de ar frio vindas da Antártida. Tal clima faz com que os vinhos do país tenham um teor alcoólico médio, entre os 12,5% e 13,5%, um pouco abaixo do teor dos vinhos argentinos e chilenos, e um tanto acima do dos vinhos brasileiros.

 

NOSSAS VISITAS

A simpática e dinâmica Margarita CARRAU nos apanhou no hotel e nos levou para visitar a vinícola da família, uma das pioneiras na produção de vinhos finos no país. A família já produzia vinhos na Espanha, na região da Catalunha, mas a grande depressão de 1930 arruinou seu negócio fazendo com que seu avô, Juan Carrau Sust, emigrasse para o Uruguai. Fundou em Canelones a empresa Santa Rosa, que se tornaria a maior produtora de vinhos do país. Em 1976, seu filho Juan Francisco Carrau Pujol, movido pelo desejo de ter seu próprio negócio, funda a Vinos Finos Juan Carrau S.A., onde se dedicou a produzir apenas vinhos de alta qualidade.

Os cinco filhos de Juan – três homens e duas mulheres – herdaram o negócio e o tocam com grande competência. Produzem seus vinhos em dois núcleos: Bodega Colón, em Canelones, próximo a Montevidéu, e na Bodega Serra do Chapéu, na mais longínqua Rivera. Os Carrau tiveram o mérito de descobrir a importância da casta Tannat para o país, que se tornaria a grande bandeira uruguaia para competir no disputado mercado mundial de vinhos. No Brasil, um dos irmãos, Juan Carrau Bonomi, produz, próximo a Caxias do Sul, os tradicionais vinhos orgânicos Velho do Museu e Juan Carrau.

Dos vinhos que provamos com Margarita e Francisco Carrau nos chamaram a atenção o Carrau Sauvignon Blanc Sur Lie 2013, produzido na Serra do Chapéu, um vinho vibrante e fresco, sem passagem por carvalho, marcado por notas de frutas tropicais, redondo e macio. Foi considerado o melhor Sauvignon Blanc do país pelo guia Descorchados. Muito bom também o Castel Pujol Merlot Reserva 2003, um vinho no seu auge após 11 anos da colheita das uvas, de bel cor granada, complexo, com aromas e sabores que lembram figo seco, couro, terra molhada e frutas secas. A Importadora ZAHIL representa a marca no Brasil.

 

Rumamos dali para visitar a pequena vinícola ARTESANA, no distrito de Las Brujas, também em Canelones. Foi fundada por um casal de americanos, que visitam a propriedade a cada ano, em 2007. As jovens enólogas Anália Lazaneo (ex Bouza) e Valentina Gatti conduzem os negócios. Nessa pequena bodega, que produz 30 000 litros a cada ano, se destacou o vinho Aretesana Reserva 2011, uma curiosa mescla das uvas Tannat (55%), Merlot (20%) e Zinfandel (25%), uma pista da origem norte-americana da empresa.  Bem escuro, retinto mesmo, mostra aromas de frutas negras maduras, carvalho tostado e tabaco. Robusto, o vinho passou por estágio de 24 meses em barricas de carvalho americano e francês.

 

Descendente de vinhateiros piemonteses e com curso de enologia na Universidade de Montpellier, Reinaldo   DE LUCCA é uma personalidade de destaque no panorama do vinho uruguaio. Acompanhado de sua filha adolescente, De Lucca nos encontrou na bodega Artesana e nos levou à sua propriedade pouco distante dali. Nada de visita à cantina. Fomos direto aos vinhedos, onde acompanhamos alguns funcionários (e até participamos!) da poda das vinhas. “O vinho começa a ser feito aqui!”, nos diz o vinhateiro, apaixonado pelos métodos naturais e grande respeitador do terroir. “Entre as fileiras de vinhas crescem uma flora natural que abriga os predadores naturais de insetos que afetam o vinhedo”, nos explica De Lucca.  Começamos a entender ali um pouco de sua filosofia e porque seus vinhos têm tanto caráter.

Provamos seus vinhos na grande sala de uma casa rústica e bem desarrumada. As uvas são originárias dos 60 hectares repartidos entre quatro zonas do centro de Canelones: El Colorado, Rincón, del Colorado, Colorado Chico e Progreso. Sua filha traz os vinhos e Reinaldo nos serve pratos de frutas frescas para harmonizar com eles. Mangas, kiwis, morangos. E não é que foram bem com os vinhos! Do meio para o fim, depois de saber de seus estudos na França e seu trabalho em Bordeaux, nossa conversa transcorreu em francês, o que deu um toque ainda mais especial a essa inusitada experiência.

O De Lucca Marsanne Reserve, de cor dourada, lembrando frutas brancas maduras, pêras e amêndoa, foi servido com lascas de manga e kiwi. Realmente muito bom, assim como o De Lucca Merlot Reserve 2011, tido por muitos como o melhor Merlot uruguaio. À manga se somaram morangos maduros na harmonização. Muito bom também o De Lucca Tannat (90%) Nero d´Avola (10%), muito frutado, macio e intenso. Os vinhos da De Lucca chegam ao Brasil pelas mãos da Importadora PREMIUM.

 

No dia seguinte, dessa vez acompanhado pelo simpático Wilson Torres, diretor do órgão de enoturismo uruguaio e funcionário BODEGAS JUANICÓ, a maior do país, rumamos logo cedo para novas visitas. MARICHAL VINOS FINOS é também uma empresa familiar. Fundada em 1916 por um imigrante das Ilhas Canárias, é dirigida hoje pelas terceira e quarta geração dos Marichal. Juan Andrés Marichal, diretor e enólogo, Juan Manuel Pozzi, diretor de exportação e a sommelière Lorena Curbelo nos receberam amigavelmente em sua sede de Etcheverría, distrito de Canelones, onde nos apresentaram seus ótimos vinhos.

A sede da Marichal não é grande, mas é acolhedora e está bem aparelhada para receber pequenos grupos para degustações e mesmo para almoços, desde que agendados. Dos vinhos se destacaram o interessante Marichal Pinot Noir Blanc de Noir (60%) e Chardonnay (40%) 2012, que fica entre as categorias dos rosés e dos brancos. Com 13% de álcool, o vinho foi fermentado parcialmente em barricas de carvalho francês, tendo parte dele estagiado mais quatro meses também em barricas. Mostrou bela cor de casca de cebola (lembrando os bons rosés da Provence), aromas e sabores de frutas vermelhas e frutas secas. Tem ótimo final e longa persistência. Destaque também para o Marichal Grand Reserve Tannat A 2009, que passou por 18 meses em estagiando em barricas, bastante sedutor, mesclando notas de especiarias com frutas negras de bosque. Os vinhos da Marichal são importados para o Brasil pela Importadora RAVIN.

 

O simpático casal Marina Cerutti e Pablo Falabrino nos aguardava em sua pequena vinícola em Atlântida, ainda em Canelones, mas bem perto da foz do Rio da Prata e do Oceano Atlântico. Ela argentina, ele uruguaio descendentes de piemonteses chegados ao Novo Mundo em 1920, tangidos pelas consequências da guerra. A VIÑEDOS DE LOS VIENTOS tem 17 hectares de vinhas que sofrem forte influência oceânica. Dois de seus bons vinhos mereceram nossa atenção: o CATARSIS 2008, mescla de Cabernet Sauvignon (70%) e Tannat (30%), complexo e bem estruturado, e o EOLO 2010, com a mesma mescla de uvas, mas com proporções invertidas, Tnnat (85%) e Cabernet Sauvignon (15%), com 3 anos de carvalho. Com boa fruta , embora mais tânico e seco. Muito bons vinhos. A vinícola rece be grupos para degustações e churrascos. São representados no Brasil pela WINE.COM.

 

Já no departamento de Maldonado, próximo a Punta del Este, chegamos à bela região da Sierra de la Ballena, região que começa a se firmar no mercado por seus bons vinhos. A bodega ALTO DE LA BALLENA, fundada pelo casal Paula Pivel e Alvaro Lorenzo em 1998, produz ótimos vinhos, embora seus donos não tivessem experiência na área quando iniciaram. Uma consultoria de uma empresa argentina supriu essa lacuna e os resultados foram excelentes. Em seus poucos hectares cultivam as uvas Merlot, Cabernet Franc, Syrah, Viognier e a onipresente Tannat. A vista do quiosque construído no alto da encosta é magnífica, e foi lá que provamos os vinhos. Realmente muito bom o ALTO LA BALLENA RESERVA CABERNET FRANC 2008, delicado e muito elegante, talvez o melhor vinho dessa variedade provado na viagem. Vale ser lembrado também o TANNAT VIOGNIER RESERVA 2010, um tinto de personalidade, floral e perfumado. A bodega recebe grupos para degustações e refeições em seu belo quiosque. Seus vinhos chegam ao Brasil trazidos pela Importadora CHARBONNARD, de Canela.

 

A cidadezinha de Pueblo Garzón foi “descoberta” em 2003 pelo chef argentino Francis Malmann, que se encantou com o lugar e alí montou seu restaurante tendo anexo anexo um hotel de luxo. A “badalação” do belo lugar atraiu o megaempresário argentino do setor do petróleo Germán Bruzzone, que adquiriu uma enorme área (4 300 hectares!) e montou seu fascinante projeto que abrange a produção de azeites premium (já produzindo e com grandes prêmios internacionais, reflorestamento, hotel de luxo da rede Realais & Château, campos de golfe e outros entretenimentos. A BODEGA GARZÓN faz parte do enorme projeto e já está produzindo ótimos vinhos. Para tanto foi contratado ninguém menos do que o festejado enólogo italiano  Alberto Antonini, enólogo das vinícolas Antinori e Frescobaldi!

Embora a vinícola não esteja totalmente pronta, seus vinhos já podem ser degustados nos salões luxuosos da Agroland, que produz os azeites. É um local deslumbrante, de tirar o fôlego pela beleza, bom gosto e grandiosidade. Foi-nos servida uma degustação de vinhos e azeites de alto padrão. Destaque para o GARZÓN ALBARIÑO 2014, um branco encantador e moderno, com muita tipicidade e frescor. Uma mostra de como essa uva espanhola pode dar bons vinhos em terras uruguaias. O azeite que mia me encantou foi o CORTE ITALIANO, uma mescla das variedades Frantoio e Leccino, bem balanceado, comum entrada amarga e acabamento picante, que ganhou vários prêmios internacionais. A importação desses produtos é feita pela WORLD WINE.

 

Na manhã seguinte, já de volta à região de Montevidéu, visitamos um dos maiores e mais tradicionais produtores do país, a CASTILLO VIEJO, em Canelones. Sua produção chega ao milhão de litros/ano (incluindo-se aí os vinhos de mesa) e sua marca é muito conhecida não só no Uruguai como também no Brasil. O produtor não recebe visitas de turistas e nem tem instalações adequadas para tanto.

Foram 10 vinhos degustados com as etiquetas Catamayor e Vieja Parcela, todos muito bons. O VIEJA PARCELA CABERNET FRANC 2011 é maduro e complexo, e nos faz evocar geleia de frutas negras e baunilha. Muito macio no paladar, nos surpreendeu por ter aliado alta qualidade a bom preço. Já o EL PRECIADO GRAND RESERVA 2011 é um vinho caro, mas merece cada centavo pago pela sua qualidade (por volta de R$ 300 em SP, conforme nos informaram). É um corte de várias uvas: Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Tempranillo.  Bem escuro, retinto, nos mostra aromas de café, chocolate, frutas negras e notas tostadas. Muito fino e complexo com um excelente final de boca. Um dos melhores da viagem. Obteve 92 pontos do Guia Descorchados. A WORLD WINE representa a marca no nosso país.

Representado no Brasil pela Importadora DECANTER, a BODEGA BOUZA foi outro ponto alto de nossa viagem. Localizada na região de Montevidéu, em Las Violetas, é um projeto nascido em 1998 fruto da união do casal Eliza e Juan Bouza. Uma velha capela em Melilla despertou o interesse de ambos para o negócio. Na verdade, a capela era uma velha bodega da família Pesquera, católicos fervorosos. De todas as bodegas, é a melhor equipada para receber o enoturista. Restaurante de bom gosto e com ótima comida, jardim magnífico para passeios, bodega moderna e bem equipada além de um museu de carros antigos, paixão do proprietário. Devido à proximidade da capita, o restaurante (que só abre para o almoço) está sempre lotado.

Some-se a tudo isso a alta qualidade de seus vinhos. A atenciosa Cristina Santoro nos acompanhou na degustação, na qual despontaram o BOUZA ALBARIÑO 2014, refrescante, rico em aromas e sabores e muito macio, e o excelente BOUZA TANNAT PARCELA ÚNICA 2012, vinho de ponta do produtor, com passagem de 18 meses por carvalho francês.

 

Quase no final da viagem pudemos visitar a BODEGA JUANICÓ, em Canelones, a maior do país. A família Deicas é a dona dessa tradicional vinícola, uma grande propriedade que possui ótima estrutura para receber seus visitantes. Festas e eventos sempre acontecem em seus amplos salões, que usufruem de bom atendimento.

Acompanhados de seu diretor Wilson Torres, que nos acompanhou gentilmente por boa parte da viagem, tivemos o prazer de degustar , dentre outros vinhos, o FAMILIA DEICAS PRELUDIO 2011, uma mistura de Chardonnay (50%) e Viognier (50%) fermentado em barricas. Mostrou cor amarela-dourada, aromas de abacaxi maduro, pêssego, mel e baunilha. As frutas maduras e a nota de carvalho podem também ser percebidas na boca. Ótimo vinho. Do time dos tintos, vale citar o PRELUDIO BARREL SELECTION LOTE 92 2012. Seis uvas entraram na sua composição: Tannat, Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Marsellan. O resultado é um vinho de grande complexidade marcado por frutas negras, café, fumo e ameixa passa, além das notas tostadas ganhas nos 24 meses passados em barricas de carvalho. A empresa produz também a linha DON PASCUAL, de vinhos mais simples e de melhor preço.  A importadora INTERFOOD é a responsável pela comercialização em nosso país.

 

Fundada em 1888 pelo empresário e político Diego Pons, a VIÑA VARELA ZARRANZ possui uma propriedade belíssima plena de araucárias, casuarinas, eucaliptos e outras árvores exóticas. Entra-se na propriedade por um grande portão e logo se pode desfrutar da beleza da aleia de árvores à medida que o carro avança. O jardim e o casarão senhorial convidam à paz e à meditação. Fomos recebidos num sábado chuvoso e frio para uma breve visita à propriedade e uma degustação dos melhores vinhos, que foi acompanhado por um delicioso almoço. A simpática e competente Victoria Varela, filha do proprietário, nos fez companhia.

Os vinhos da Varela Zarranz tem prestígio internacional, já tendo conquistado vários prêmios.  Dois vinhos (aos quais concedi altas pontuações) mereceram destaque: o TANNAT RESERVA 2011, com 13,8% de álcool, concentrado, intenso e muito macio. Um ótimo vinho de bom preço (R$ 75,00), que ganhou nada menos do que 91 pontos de Robert Parker, e o GUIDAI DETI GRAND RESERVA 2004, composto por 55% de Tannat, 25% de Cabernet Sauvignon e 20% de Cabernet Franc. Seis meses em carvalho francês e mais um ano em garrafa resultaram num vinho pleno de especiarias, pimenta-do-reino, ameixa e alcaçuz. Já com 10 anos de guarda, o vinho envelheceu de forma magnífica e está em seu apogeu. A Varela Zarranz chega a nós pelas mãos da Importadora OBRA PRIMA.

A viagem chega ao fim com um resultado extremante positivo. Os vinhos do país confirmaram seu recente prestígio conquistado e o país encantou pela simpatia e gentileza de sua gente. Podemos afirmar que o Uruguai está se firmando como um dos mais interessantes destinos do enoturismo na América Latina. Valeu a visita!

 

AGUINALDO ZÁCKIA ALBERT

OUT/2014

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